No terreno, diante de um grupo de primatas de pelagem escura, é muitas vezes a mancha colorida nas nádegas que chama primeiro a atenção. Este macaco de traseiro vermelho, como é conhecido informalmente, não corresponde a uma única espécie: vários primatas partilham esta particularidade anatómica, desde o mandril ao macaco-de-crista, passando por alguns babuínos.
Para compreender a função desta coloração, é preciso ir além da curiosidade visual e observar o que está em jogo entre sinalização sexual, hierarquia social e adaptação biológica.
Coloração vermelha nos primatas: um sinal, não um ornamento
Ao observar um grupo de mandris no ambiente florestal, o que mais chama a atenção é a variação das cores de um indivíduo para outro. A pele nua das nádegas pode ir do azulado ao arroxeado, com zonas de um vermelho intenso, e essa intensidade varia consoante o sexo, a idade e o estatuto do animal.
Na fêmea do mandril, o inchaço e a intensificação da cor indicam que está recetiva ao acasalamento. Não é uma característica fixa: a zona colorida altera-se ao longo do ciclo hormonal, tornando-se um indicador dinâmico que os machos do grupo conseguem interpretar.
Para saber mais sobre as particularidades do macaco de traseiro vermelho e distinguir melhor as espécies em causa, é preciso começar por compreender que a coloração não se limita às nádegas. No mandril macho, o rosto também apresenta marcas de um vermelho vivo e azuladas, cuja intensidade varia em função da posição na hierarquia social.

Mandril, macaco, gelada: que espécies têm zonas vermelhas e onde
Estas espécies são muitas vezes confundidas porque a palavra «vermelho» é usada de forma demasiado abrangente. Na realidade, no terreno, as diferenças são mais precisas.
- O mandril (Mandrillus sphinx) apresenta cores vivas no rosto (vermelho e azul) e nas nádegas (do azulado ao arroxeado, com zonas vermelhas). Os machos dominantes exibem as tonalidades mais intensas.
- O macaco-de-crista de Sulawesi (Macaca nigra) tem calosidades isquiáticas avermelhadas ou rosadas, bem visíveis na pele escura. Quando está recetiva, a fêmea apresenta um inchaço acentuado nessa zona.
- A gelada (Theropithecus gelada), por vezes confundida com um babuíno, não tem zonas vermelhas nas nádegas, mas sim uma placa vermelha característica no peito, rodeada por pequenas vesículas cuja aparência varia com o ciclo hormonal da fêmea.
A gelada ilustra bem o equívoco: por vezes, é associada aos «macacos de traseiro vermelho», embora a sua coloração distintiva se encontre noutro local. No terreno, a confusão desaparece assim que se observa o animal de frente.
Babuínos e outros casos-limite
Em várias espécies de babuínos, as calosidades isquiáticas são rosadas ou avermelhadas, mas raramente tão vistosas como as do mandril. A coloração é discreta nos machos adultos e intensifica-se mais nas fêmeas durante o período fértil. Portanto, não se trata do mesmo grau de sinalização visual.
Hierarquia social e cor da pelagem: o que a intensidade revela no mandril
A relação entre a cor e a posição hierárquica é um dos aspetos mais bem documentados no mandril. A intensidade das cores do rosto reflete diretamente a posição do macho no grupo. Um macho alfa exibe tons de vermelho e azul nitidamente mais intensos do que um macho subordinado.
O que torna este mecanismo notável é a sua reversibilidade. Os ornamentos secundários (a cor do rosto e, em menor medida, das nádegas) mudam quando um macho conquista ou perde o estatuto de alfa. Não se trata de uma característica imutável desde o nascimento, mas de um indicador em tempo real da posição social.

Este sistema permite aos outros membros do grupo avaliar a relação de forças sem confronto físico. A coloração funciona como um sinal fiável de dominância, porque é fisiologicamente dispendiosa de manter: depende dos níveis de testosterona e da condição física geral do macho.
Distinguir o sinal do rosto do sinal das nádegas
Seria um erro resumir todas estas colorações a uma única função. No mandril, o rosto e as nádegas não transmitem a mesma informação. O rosto indica a posição social e a competitividade do macho. As nádegas, sobretudo no caso da fêmea, comunicam a recetividade reprodutiva.
Confundir os dois sinais é ignorar que cada zona colorida desempenha um papel distinto na comunicação social do grupo. Os primatólogos insistem nesta distinção para evitar interpretações simplistas.
Habitat e modo de vida dos primatas com coloração vermelha
Os mandris vivem sobretudo nas densas florestas tropicais da África Central, nomeadamente na Guiné Equatorial, nos Camarões e no Gabão. Deslocam-se pelo solo em grupos que podem reunir várias dezenas de indivíduos, por vezes muitos mais durante as concentrações sazonais.
O macaco-de-crista de Sulawesi ocupa um habitat muito diferente: as florestas tropicais da ilha de Sulawesi, na Indonésia. A sua área de distribuição é restrita, o que o torna vulnerável à desflorestação e à caça furtiva.
A gelada, por sua vez, vive nos planaltos da Etiópia, em pradarias de altitude. É o único primata cuja alimentação é principalmente à base de gramíneas. O seu modo de vida terrestre e o habitat aberto contrastam nitidamente com os das espécies florestais referidas acima.
Estes três primatas partilham uma coloração vermelha visível, mas os seus habitats, regimes alimentares e estruturas sociais são radicalmente diferentes. Agrupar todos os «macacos de traseiro vermelho» numa única categoria oculta esta diversidade biológica.

A coloração vermelha nos primatas não é decorativa nem anedótica. É uma ferramenta de comunicação cuja localização, intensidade e função variam consoante a espécie, o sexo e o contexto social. O mandril macho exibe a sua posição no rosto, a fêmea do macaco sinaliza a fertilidade através das calosidades e a gelada ostenta a sua marca no peito. Cada configuração conta uma história evolutiva diferente, moldada por pressões de seleção próprias de cada ambiente.



